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Raquel Cozer

Perfil Raquel Cozer é jornalista especializada na cobertura de livros

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Painel das Letras em velho endereço

Por Raquel Cozer
27/09/13 21:09

Ia escrever “novo endereço” no título, mas, não, é o antigo, mesmo.

A partir deste sábado, você pode acompanhar o Painel das Letras aqui, onde a coluna era publicada até 2012. O blog, coitado, que há meses já não via nenhum post novo a não ser as colunas, por pura falta de tempo (leia-se organização) desta colunista, vai se aposentar.

Continuo escrevendo sobre literatura, mercado editorial e políticas de livro e leitura na Ilustrada e na Ilustríssima, agora sem culpa por deixar esta página sempre tão abandonada. E quem acompanha a área ainda tem a opção de ler os ótimos colegas Elekistão, Xico Sá e André Barcinski (que são menos xiitas que eu e tratam de outros assuntos culturais também).

Painel das Letras: Vitrine eclética

Por Folha
21/09/13 03:00

Não só obras de fantasia ou juvenis se beneficiam da vitrine da autopublicação no Brasil. A mais recente contratada da Record, após receber elogios nas redes, foi uma tese de mestrado, “Bispos Católicos e a Ditadura Militar Brasileira”, defendida na UFRJ por Paulo César Gomes. O livro saiu há um mês pela Multifoco, que produz por encomenda, esgotou seus 200 exemplares em poucos dias e, agora, só voltará a ser lançado em abril de 2014, ampliado e com encarte de fotos.

Será um de vários títulos que editoras nacionais preparam por ocasião do cinquentenário do Golpe de 1964.

Cidade literária
Curitiba, cidade natal de um dos principais jornais literários do país, o “Rascunho”, terá a partir de outubro uma revista gratuita toda dedicada ao gênero, “O Mapa”. Bimestral, com tiragem de 5.000 cópias, resulta de parceria da livraria e editora Arte & Letra com o projeto Conversa entre Amigos.

Publicará material do jornal “New York Times” e da revista “New York Review of Books”, além de contar com colaboradores próprios, com a preocupação de “não alienar ninguém nem elitizar a literatura”. Na primeira edição, haverá desde uma leitura crítica da obra dos “daniéis” Galera e Pellizzari até Dan Brown comentando suas preferências literárias.

Joias santistas

Bola autografada pelo presidente Jimmy Carter para Pelé

A Realejo prepara para a Feira de Frankfurt, no mês que vem, volume bilíngue com 200 páginas de memorabilia de Pelé. As fotos incluem da caixa de engraxate com a qual trabalhou na infância à bola autografada nos anos 1970 pelo então presidente dos EUA, Jimmy Carter, quando o santista jogava no Cosmos. “As Joias do Rei Pelé” tem texto de Celso de Campos Jr. e será, durante a feira, avaliada para publicação pela Taschen.

Antes, na semana que vem, o dono da Realejo, José Luiz Tahan, organiza a Tarrafa Literária, em Santos. E planeja para o período do evento pelada com o time de autores brasileiros, como Antonio Prata e Marcelo Moutinho, que representarão o país em jogo contra escritores alemães na Feira de Frankfurt. Em Santos, jogarão contra jornalistas locais.

Nuits de laitue – “Noites de Alface” (Alfaguara), novo romance de Vanessa Barbara, nem saiu no Brasil e já tem editora na França. Previsto para o próximo dia 1º, será lançado em março pela francesa Zulma, antes do Salão do Livro de Paris, que terá o Brasil como homenageado.

Soltinha –  De volta a São Paulo após quatro anos, o festival de poesia Flap é tão independente que encontrou uma forma de financiamento mais alternativa que a arrecadação via sites de crowdfunding (vaquinha virtual).

Soltinha 2 –  O evento montou uma página no próprio site, o flap2013.com.br, para receber contribuições em troca de livros. Em 19 dias, arrecadou R$ 1.619. A meta é chegar a R$ 1.876 até segunda, quando acaba a festa, em vários pontos de São Paulo.

Soltinha 3  – A organizadora Ana Rüsche diz que não se inscreveu em sites como o Catarse para não pagar a taxa de 13% do valor arrecadado nem correr o risco de ficar sem nada, já que nesses sites ou se atinge a meta, ou não se recebe nenhum dinheiro.

Família unida – A independente Ouro sobre Azul, pela qual Ana Luísa Escorel vem publicando toda a obra do pai, o crítico literário Antonio Candido, contempla a família neste semestre.

Família unida 2 –  Após “Mina R”, reedição da obra de 1973 de Roberto de Mello e Souza (1921-2007), irmão de Candido, sairão “Anel de Vidro”, primeiro romance de Ana Luísa, e “A Palavra Afiada”, de entrevistas com a filósofa e ensaísta Gilda de Mello e Sousa (1919-2005), que foi mulher do crítico.

Painel das Letras: Periferia no centro

Por Folha
14/09/13 03:00

A Biblioteca Mário de Andrade ficou responsável pela organização da participação de São Paulo como cidade homenageada na Feira do Livro de Buenos Aires, em abril de 2014, e promete levar autores da periferia para representar a capital. “A poesia mais vívida de São Paulo está nas franjas da cidade e há pouca atenção do mercado a isso”, diz o diretor da instituição, Luiz Bagolin.

Ele esclarece que as atribuições da biblioteca na organização não incluirão a produção do evento —uma referência às críticas recebidas pelo governo federal por colocar a Biblioteca Nacional à frente do comitê organizador da participação brasileira na Feira de Frankfurt, agora em outubro. “A função da Mário de Andrade será eminentemente curatorial”, diz.

Auditoria na biblioteca
A atuação da Biblioteca Nacional como organizadora da participação do Brasil em eventos internacionais, aliás, está entre os pontos mais questionados por auditoria da Controladoria Geral da União na instituição, realizada de abril a junho. Os resultados saíram nesta semana no site da CGU.

A CGU considerou inválidas as justificativas para a falta de licitação na escolha da empresa de Daniela Thomas para criar o pavilhão do país na Feira de Bogotá 2012. “Não restou comprovada a inviabilidade de competição”, diz o texto. E há questionamentos quanto à contratação de vários serviços, somando mais de R$ 1,2 milhão, sem pesquisa prévia de preços, para a participação do país na Feira de Frankfurt.

VERDE O poeta Ramon Nunes Mello escreve para crianças em ‘A Menina que Queria Ser Árvore’, inspirado no desejo infantil da poeta Adalgisa Nery (1905-1980); ilustrado por André Côrtes, sai pela Escrita Fina em 2014

Sem tradução Um contratempo pôs em risco o plano da Cassará de publicar “Relatório ao Greco”, de Nikos Kazantzakis, com apoio via crowdfunding (vaquinha virtual). Anunciada como doadora da tradução para o projeto, Ísis Borges da Fonseca alegou, após as arrecadações começarem, em julho, que não fizera a doação.

Com tradução Passados dois meses, a editora conseguiu nova tradutora, Lucília Soares Brandão, que conclui pós-doutorado na UFRJ sobre o grego e verterá a obra de graça. Com R$ 8.555 arrecadados pelo site Catarse para os direitos autorais, a edição deve sair em junho de 2014.

Guerrilheiro e poeta A Geração Editorial lançará no estande do governo na Feira de Frankfurt, em outubro, o livro “Zeit der Widrigkeiten” (a palavra contra o muro). O autor é Pedro Tierra, pseudônimo de Hamilton Pereira, ex-guerrilheiro e atual secretário de Cultura do Governo do Distrito Federal.

Lá e cá O volume, bilíngue, tem poemas inéditos no Brasil, mas publicados na Alemanha em 1991. O primeiro livro do autor naquele país é dos anos 1970, quando ele era preso político por aqui.

Modelo e escritora Depois de ganhar as passarelas e estrear como cantora, a top Michelli Provensi quer seu lugar nas livrarias. A Livros de Safra prepara para outubro, por ocasião da São Paulo Fashion Week, o volume “Preciso Rodar o Mundo”, com bastidores do mundo da moda.

Cinema 1 A editora Única estreia em mercado de grandes com “The Testing Trilogy”, de Joelle Charbonneau, previsto para abril. A série é similar ao “Hunger Games”, com jovens selecionados para reconstruir o mundo num futuro distópico, e teve direitos adquiridos pela Paramount. Na trama, após ter a memória apagada, a protagonista começa a ter lembranças de detalhes cruéis da seleção por que passou.

Cinema 2 “O Mordomo da Casa Branca”, de Wil Haygood, sai em novembro pela Novo Século. Trata de Eugene Allen, que serviu oito presidentes dos EUA, testemunhando do lado do poder os piores conflitos raciais do país. O filme homônimo, de Lee Daniels (de “Preciosa”), está cotado para o Oscar e estreia neste ano no Brasil, com elenco de peso, que inclui nomes como Forest Whitaker, Jane Fonda, Robin Williams e Oprah Winfrey.

Painel das Letras: A hora dos nacionais

Por FOLHA
07/09/13 03:00

A lição aprendida por editoras nesta Bienal do Livro Rio é que apostar em nacionais pode fazer bem à saúde financeira. A dois dias do fim do evento, autores brasileiros têm sido os mais vendidos de várias casas.

Foi o caso de quatro dos seis best-sellers do grupo LeYa/Casa da Palavra, com “Não Faz Sentido”, de Felipe Neto, no topo —480 cópias até agora. Na Rocco, os brasucas ocuparam com três das cinco primeiras colocações, liderados por “Ela Disse, Ele Disse: o Namoro”, de Thalita Rebouças e Mauricio de Sousa. A Autêntica, que multiplicou seus nacionais desde 2011, passou de um faturamento de R$ 45 mil naquela edição para R$ 120 mil até o momento. No topo, com 40% dessas vendas, a juvenil Paula Pimenta: cerca de 3.000 cópias vendidas.

A hora dos nacionais 2

Outras casas, tradicionalmente mais voltadas a best-sellers internacionais, vêm colhendo frutos inéditos. ?Caso da Novo Conceito, que vendeu mais livros de Nicholas Sparks e Emily Giffin, mas destacou nacionais em grandes painéis no estande. Entre seus mais vendidos, entrou “Claro que te Amo!”, de Tammy Luciano, com 560 cópias.

Na Record, só o oitavo lugar foi ocupado por uma brasileira, mas foi um caso peculiar. Fruto da autopublicação antes de ser sair pelo selo Verus, do grupo carioca, Carina Rissi teve 300 exemplares de seu romance “Perdida” vendidos só na tarde de autógrafos, que durou três horas.

Quadrinhos da discórdia

Uma questão de datas pode ser crucial para solucionar um impasse entre a editora Nemo e os artistas Carlos Ferreira e Moacir Martins.

Roteirista e ilustrador fizeram, a pedido da Nemo, a HQ “A Guerra dos Palmares”. A casa considerou o conteúdo inadequado ao “fim escolar” a que se propunha. Quis retirar, por exemplo, a imagem da cabeça decepada de Zumbi (acima) e uma sequência associando terremoto de 1755 em Lisboa a uma “justiça divina” contra a escravidão.

A dupla considerou a proposta de cortes abusiva. A editora, então, enviou notificação extrajudicial, pedindo rescisão do contrato e a devolução do adiantamento. Por lei, o editor pode pedir alterações até 30 dias após receber os originais. Ferreira diz o intervalo foi de dez meses. Segundo a editora, foram duas semanas.

Tolkien em crise A ficção de Tolkien resulta das grandes crises do século 20, como genocídios e destruição ambiental, segundo o historiador Paulo Cristelli. Cartas do autor de “O Senhor dos Anéis” e teorias da literatura e das ciências sociais servem de base para a ideia em “J.R.R. Tolkien e a Crise da Modernidade”, que a Alameda prevê para outubro.

Mais contistas Marçal Aquino, Sérgio Fantini e Daniel Pellizzari são os três primeiros nomes confirmados para a quarta edição do Festival Nacional do Conto, que acontece em Florianópolis, de 10 a 16 de março de 2014. A meta é dobrar o número de contistas, chegando a 30, antes de partir para a internacionalização, em 2015.

Aperte os cintos Se já não estava simples a situação na Biblioteca Nacional, neste ano de grandes mudanças, melhor não vai ficar com a redução de 26% na programação orçamentária deste ano, determinada semanas atrás. A instituição tenta se adequar ao corte, que atingiu todas as áreas do Ministério da Cultura.

For export Com o Brasil homenageado na Feira de Frankfurt, pela primeira vez Cosac Naify e Évora vão ao evento com a meta de vender títulos, e não só comprar. Agentes, porém, se preocupam com o futuro: na feira, haverá a mesa “O desafio de negociar brasileiros após Frankfurt 2013”, com Luciana Villas-Boas, Marianna Teixeira Soares, Nicole Witt, Valéria Martins e Lúcia Riff.

Painel das Letras: O pequeno juiz

Por Folha
31/08/13 03:00

Joaquim Barbosa entrou no panteão de heróis nacionais da brasiliense Thesaurus, que inicia em setembro a série infantil “Pequenos, Grandes Brasileiros”. Pródigo em despertar reações de amor e ódio, o presidente do Supremo Tribunal Federal é o único nome contemporâneo na coleção, ao lado de Juscelino Kubitschek, Santos Dumont, Barão do Rio Branco e outros.

O volume “Joaquim, o Pequeno Juiz” está pronto, com texto de João Carlos Amador e desenhos de Nestablo Ramos (na capa, Barbosa aparece criança, jogando bola), mas falta à editora conseguir uma hora com o juiz para pedir autorização de uso de imagem. O plano do editor Victor Tagore é levantar “exemplos para a juventude” e lembrar que “grandes homens também foram crianças, que tinham medos, amigos e brincavam”.

Línguas peculiares

Inspirados textos do linguista francês Claude Hagège, professor do Collège de France que fala mais de 20 idiomas, integram o “Dicionário Amoroso das Línguas”. A Estação Liberdade prevê o livro para março, com tradução de Ana Alencar.

O autor escreve verbetes como “Amo (Eu te)”, fazendo graça com a ideia pouco entusiasmada que passa a expressão romântica italiana “ti voglio bene” (“eu te quero bem”), e “Obrigadinho”, sobre o jeito peculiar de certos brasileiros agradecerem.

“É o paradoxo dos diminutivos: o sufixo português  –inho dá, comumente, à palavra que ele marca, o sentido de alguma coisa bem pequena, mas pode se tratar também de alguma coisa maior, como nesse obrigadinho”.

Domínio público pago e gratuito

O corpo de Aluísio Azevedo chega a São Luís, em 1919 (foto acervo Biblioteca Nacional)


Após preparar para o Google Play a versão digital de cem títulos nacionais em domínio público, oferecidos de graça aos usuários da loja há um mês, a Obliqpress faz sua própria lista de obras sem detentores de direitos autorais. Mas cobra R$ 3 por elas, para não competir com a loja que contratou seus préstimos de edição. Pôs sete no ar e quer chegar a 200 até dezembro.

Em setembro, inicia nova coleção, com e-books “vitaminados”, a R$ 8, acrescidos de fotos e fortuna crítica. O primeiro será “O Cortiço”, com a foto acima, do corpo do autor Aluísio Azevedo sendo levado a São Luís (MA) seis anos após sua morte, em Buenos Aires.

Meu Pé A abertura do salão de negócios da Bienal do Livro Rio foi boa para a Melhoramentos, que vendeu os direitos da obra de José Mauro de Vasconcelos para a portuguesa Marcador. ?Com quase 600 mil cópias de “O Meu Pé de Laranja Lima” no exterior, Vasconcelos é o segundo autor da casa que mais circula em outros países, atrás de Ruth Rocha (1 milhão de cópias).

Saída Luiz Fernando Pedroso deixa a direção da Ediouro depois de 15 anos de casa. Por ora, terá uma cadeira no conselho da empresa.

Volta Depois de ganhar, em 2012, microestande na Feira de Frankfurt, dentro de programa de apoio a editoras independentes, a Dublinense resolveu voltar. Mas não pagando por algumas poucas prateleiras no estande do Brasil, como outras fazem.

Volta 2 Por quase o mesmo valor, dividirá estande de 8 m² com uma editora peruana e outra croata. É um ano importante para a casa, que em 2012 vendeu três títulos ao mercado alemão, a serem lançados nesta feira: “Sob o Céu de Agosto”, do Gustavo Machado, “Fetiche”, da Carina Luft, e “Crime na Feira do Livro”, do Tailor Diniz.

Tabloide O editor Sergio Cohn reuniu “quase um dream team” das revistas culturais dos últimos anos no tabloide “Atual”, que sai em setembro. Eduardo Sterzi (da “Cacto”), Alexandre Nodari (“Sopro”) e Marcelino Freire (“PS:SP”), além do próprio Cohn (“Azougue”), são alguns dos colaboradores.

Tabloide 2 Com o subtítulo “O Último Jornal da Terra”, terá versão digital e impressa gratuitas.

Novo diretor da Mário de Andrade fala sobre fungos no acervo e projetos para sua gestão

Por Raquel Cozer
26/08/13 09:06

A Ilustrada de hoje informa que 18 mil títulos da Biblioteca Mário de Andrade, a segunda maior do país –perdendo apenas para a Fundação Biblioteca Nacional–, foram infestados por fungos ao longo de 2012, no final da gestão anterior.

Abaixo, trechos da conversa com Luiz Bagolin, que assumiu oficialmente o cargo de diretor da instituição no mês passado, e que vem desde março lidando com a questão. Ele fala também sobre projetos para sua gestão.

O novo diretor da Biblioteca Mário de Andrade, Luiz Bagolin (Foto Eduardo Anizelli/Folhapress)

***

FUNGOS NO ACERVO
Me chamou a atenção a ocorrência, em algumas prateleiras de alguns andares do acervo, de fungos nos livros. Chamou a atenção porque não deveria haver fungos, já que o sistema é climatizado. Dos 23 andares, em quatro, não nos andares inteiros, mas em algumas prateleiras, começamos a perceber uma situação mais grave de fungos. Essa situação já tinha sido acusada no final do ano passado. Aí foram feitas as comunicações para a prefeitura, para a Secretaria Municipal de Cultura, mas as providências não chegaram a ser tomadas. Tentei estabelecer uma divisão do problema. Primeiro, você precisava entender por que estava ocorrendo a infestação. Chamamos o IPT [Instituto de Pesquisas Tecnológicas], que prontamente nos atendeu.

Tivemos que correr para arrumar recursos, porque a biblioteca em março já estava com 90% dos recursos empenhados e não tinha dinheiro para uma contratação. Consegui essa verba, e a bióloga fez um trabalho muito minucioso. Durou 30 dias o exame, e, de posse do diagnóstico, passei para a segunda parte da ação, que é mais complicada, de separar os livros que estão infectados e higienizá-los.

Isso está sendo feito. Só consegui recentemente recurso para uma contratação emergencial para limpar os livros. E vamos casar esse processo de higienização com a restauração de alguns livros. Os fungos não escolhem lugar, então há livros da coleção geral e livros raros, também, que foram atacados. Não sei dizer exatamente quantos foram atacados porque os fungos não atacam individualmente os livros, os que estão em contato também têm de ser higienizados. Mas conseguimos contratar a empresa para a higienização. Essa verba saiu do gabinete da Secretaria Municipal de Cultura, uma suplementação orçamentária de R$ 400 mil, que não são gastos imediatamente. O trabalho dura de seis meses a um ano para higienização e restauração.

A fachada da Mário de Andrade , com a torre de 23 andares, com acervo, ao fundo (Foto de Gabriela Biló/Futura Press/Folhapress)

AR CONDICIONADO
Os livros serão higienizados e ficam separados, porque não dá para reparar o ambiente se não resolver o problema do ar condicionado. Qual o problema? A climatização tem que funcionar com parâmetros adequados de temperatura e umidade. Percebemos que esses parâmetros em alguns andares eram atingidos, mas em outros estavam fora do padrão. Por quê? Não sabemos se é erro de projeto de climatização; ou se o projeto está adequado, mas a instalação teve algum problema; ou se o projeto está adequado, a instalação está adequada, mas alguma coisa se desregulou. Está sendo feita uma análise de todo o sistema do projeto, de instalação e do funcionamento dele em cada andar, por engenheiros da Faculdade Politécnica da USP, além de um perito em climatização de acervos. Assim que esses pareceres estiverem concluídos, teremos de retrofitar o sistema, ver o que está faltando e instalar, se é que está faltando algo, para que a climatização atinja parâmetros adequados.

DIGITALIZAÇÃO
A Mário de Andrade está engatinhando, mal começou a digitalização do seu acervo. Digitalização é uma forma de dar acesso, e acessibilidade para mim é uma palavra-chave. No ano passado foi feita uma parceria com a Bibllioteca Mindlin, a biblioteca conseguiu um dinheiro de Harvard, US$ 30 mil, e nessa experiência, com US$ 30 mil, foram digitalizados 200 livros. Não é nada. Se contar que a Mário de Andrade deve ter no máximo 2.000 digitalizados, e que esses 2.000 estão digitalizados em linguagens diferentes, porque foram feitos por empresas diferentes, em épocas diferentes, por demandas diferentes, ou seja, além de não ser nada, você não dá autonomia à biblioteca para que possa durante um bom tempo se dedicar a esse setor de digitalização e atrelar a digitalização com formação e com aquisição de conhecimentos. Vejo na montagem do setor de digitalização, que passa a ser uma meta para essa gestão, não apenas a questão de serviço, digitalizar um livro, mas adquirir conhecimento, montar uma plataforma de pesquisa e de formação, principalmente para jovens da periferia, que hoje em dia nasce com computador na mão.

Consegui algo difícil que são os recursos humanos, pessoas que sabem absolutamente tudo em relação a isso. São três pessoas, mas já dá para começar. Um deles inclusive é um hacker. Ele fica indignado porque temos uma coisa que se chama Prodam. Todo os serviços da prefeitura são feitos via Prodam, que é uma empresa lenta em relação às demandas tecnológicas. Mesmo que você tivesse a digitalização de vento em popa, robôs, scanners, fazendo a coisa em escala hoje, eu não teria como armazenar e disponibilizar isso na internet porque não tenho servidor próprio, dependo de um serviço que monopoliza isso para toda a prefeitura e que se chama Prodam. Então nossa meta depende de uma ação casada. O pessoal da Prodam tem sempre muito boa vontade, é prestativo, mas não depende apenas da gente. Trouxemos recursos humanos, fizemos o plano, sabemos o que precisamos de equipamento e fizemos o orçamento, já sabemos onde vamos instalar isso, como vai funcionar o setor. Estou projetando no orçamento do ano que vem a compra desse equipamento. Para os equipamentos básicos, precisaríamos de R$ 800 mil.

Não penso em disponibilizar uma quantidade massiva num curto período de tempo. Entendo a digitalização como algo que demanda muito tempo, que envolve mudança de tecnologia, por isso não preciso fazer um investimento muito grande em tecnologia no começo, porque essa tecnologia vai ficando obsoleta. Se gastar muito dinheiro com isso, vou jogar dinheiro público fora. Tenho de atrelar esse processo a uma pesquisa. Ao mesmo tempo em que vou prestando serviço e dando mais acesso aos livros via disponibilização online, estou gerando pesquisa e fazendo com que o setor se auto-alimente com essas informações.

O plano é que nos próximos dois anos, a contar de 2014 até o início de 2016, tenhamos de 5.000 a 7.000 obras digitalizadas e tratadas. O setor de digitalização está sendo pensado para funcionar em parceria com um setor de edições na Mário de Andrade. Isso é uma forma de dar acesso principalmente ao livro raro, é você digitalizá-lo, tratar imagem e produzir fac-símiles desses livros.

Com a Mindlin, tivemos uma parceria e estamos tentando assinar um acordo para digitalizar algumas obras da nossa brasiliana, coisas que eles não têm. Porque não há sentido em digitalizar o que já está digitalizado, seja no acervo do IEB, de onde venho, seja da Mindlin. Se tem um livro raro digitalizado em algum desses acervos, não precisa fazer de novo. Vamos fazer uma seleção do que a Mindlin não tem e digitalizar os livros da nossa brasiliana lá. Vão ficar hospedados na plataforma Corisco, no site da Brasiliana, que é melhor do que a que a gente tem na prefeitura, Prodam. Eles serão referenciados com o logo Biblioteca Mário de Andrade Digital.

Sala Paulo Prado, onde estão 3.500 das 52 mil obras raras da instituição, prioridades na digitalização (Foto Ze Carlos Barretta/Folhapress)

ESPAÇO PARA CRIANÇAS
Encontrei certa resistência. A biblioteca vai completar 88 anos e nunca teve espaço para criança. O espaço para crianças na biblioteca circulante [com livros para empréstimo, no primeiro andar] é um pufe embaixo da escada, uma prateleira com meia dúzia de livros. Não é falta de recurso, não é falta de espaço, é uma decisão política. Criança não entra aqui, não tem espaço numa biblioteca como essa. Tive certeza disso quando bibliotecários vieram me dizer: “Já existe a Monteiro Lobato, é uma biblioteca infantil, por que trazer criança para cá?”. Falei o seguinte: “Não quero montar uma biblioteca infantil na Mário de Andrade, quero uma sala para crianças”.

Estamos limpando uma sala no térreo, com 100 m², com pias no fundo, em que dá para fazer oficinas. Convidei o pessoal do escritório de design Ovo para fazer um projeto de mobiliário. Vamos apresentar num telão 3D em outubro, durante um seminário sobre direito à infância e políticas culturais para criança. Eu gostaria de antecipar essa sala e conseguir um patrocinador. Ela não é cara, custa R$ 400 mil, R$ 500 mil, com tudo instalado. Hoje, se você tem filho e chega na biblioteca para fazer pesquisa, não traz o seu filho, porque não tem onde deixar. Com a sala, você pode ter a a opção de chegar no atendimento e pedir uma senha. Com essa senha, você senta na mesa onde tem o monitor mais próximo e digita a senha e tem a imagem da câmara na tela. Não vai precisar sair do seu posto de trabalho para ir até a sala ver o que está acontecendo com o seu filho. Você vai ter a imagem, on-line, simultânea, porque a câmera vai monitorar. O principal, o conteúdo, as atividades, serão discutidas com os pedagogos que virão ao seminário.

EVENTOS
A programação cultural é determinada por lei, a Biblioteca Mário de Andrade, na lei 15.052 de dezembro de 2009, é obrigada a ter uma programação cultural, a ter e incentivar exposições, montar cursos, seminários, fóruns.

Isso começou só depois da entrega do prédio, timidamente em 2011, e cresceu bastante em 2012. Mas a média de uso do auditório, neste primeiro semestre de 2013, foi de uma vez durante a semana e uma vez aos sábados de manhã. Já que a programação cultural é uma determinação por lei, a biblioteca não pode apenas ser receptiva em relação ao que é feito aqui dentro. Estávamos muito na condição de ser o balcão de receber eventos. Determinei com a equipe ser mais proativo em relação a isso. Nesse segundo semestre já começamos, teremos o seminário de cultura e infância, algo que nós propusemos. E teremos ciclos de conferências, como o Democracia na História, que já começou.

Isso não estava no orçamento. Todo o orçamento da Cultura de São Paulo estava concentrado no Gabinete, não só pra Mário. Quando você precisava de um evento, pedia e o secretário autorizava ou não. Não havia essa de “vou precisar para 2013 de R$ 100 mil para programação cultural”. Não tinha e não tem dinheiro, porque o orçamento deste ano foi projetado no ano passado. Mas estou satisfeito, porque minha perspectiva em março era não ter nada, e estamos com a programação praticamente fechada até dezembro. Neste ano ainda vamos ter o encontro sobre poesia ameríndia, curadoria do Sergio Cohn.

Outra coisa que notamos foi que o auditório da Mário de Andrade, pequeno, aconchegante, é ideal para uma sala de cinema primorosa, de 175 lugares. Estamos orçando uma tela profissional, um projetor 3D de alta definição, para que a sala entre no circuito de mostras de cinema. Isso também tem a ver com acessibilidade, assim como a digitalização e o espaço para crianças.

Auditório de 175 lugares, que a nova gestão pretende transformar em uma sala para o circuito de mostras de cinema de São Paulo (Foto Zé Carlos Baretta/Folhapress)

BRAÇO EDITORIAL
Criamos um conselho, com gente da academia e do mercado. Tem João Adolfo Hansen, Alcir Pécora, Paulo Martins, Marcos Augusto Gonçalves, editor, livreiro. Estamos batalhando para ter a Primavera dos Livros [evento organizado pela Libre, de editoras independentes] em setembro aqui na praça, e estamos com uma expectativa boa de que a praça se fixe como o lugar da Primavera.

O Juca Ferreira [secretário municipal de Cultura, na gestão Fernando Haddad] fez um pedido e endosso a opinião dele. Ele tem o entendimento de que hoje os acervos municipais, no Centro Cultural Vergueiro, Arquivo Municipal, Casa da Imagem, são muito procurados. Você chega lá, requisita o que quer para a produção do seu livro, numa editora particular ou comercial, executa a contrapartida do preço estabelecido em decreto, R$ 50 por imagem imagem, ou negociar uma contrapartida em exemplares.

O que não dá para entender é que você chega, pega as imagens, leva e faz um livro, sem nenhuma participação. A gente não viu projeto gráfico, a prova do livros, se a imagem está bem tratada. A biblioteca não tinha como acompanhar isso, mas agora tem. Temos olhos bem treinados para isso, dá para acompanhar o livro na boca da máquina, saber se a cor está certa. O Juca determinou que qualquer projeto editorial envolvendo acervos pertencentes à Secretaria Municipal de Cultura seja discutido com a Mário de Andrade. Nesse sentido é um braço editorial, não sei se o termo é muito adequado, um apoio.

A biblioteca pretende fazer edições próprias, teremos um selo. Além da revista que já editamos, queremos fazer outras coisas. Por exemplo, um livro com os destaques do acervo. A gente vai propor uma parceria com a Imprensa Oficial para editar, vai ter o selo Biblioteca Mario de Andrade Edições. A biblioteca é sempre referenciada como o lugar onde se guarda determinada edição que será usada em outra edição, mas não é vista como uma guardiã que cuida da forma como esse material será usado.

ORÇAMENTO
O de 2013 ficou em R$ 7 milhões, após a biblioteca ter projetado R$ 13 milhões, levando em conta que agora são dois prédios, com a hemeroteca. Para 2012 foram projetados R$ 11 milhões e vieram R$ 6 milhões. É insuficiente. Dá para custear a operação da biblioteca, mantém os funcionários e empresas terceirizadas. Você não tem nesse orçamento a possibilidade de ter recurso para uma ação emergencial. Vamos supor que alguém rasgue um livro raro, vou ter que esperar até o ano que vem para consertar ou ter que pedir? Assim também é impossível sustentar uma programnação cutlural. Projetamos para 2014 R$ 20 milhões para os dois prédios, sabendo que não vamos ter.

Nono andar da hemeroteca, onde está parte do acervo Folha; muito material ainda não está acessível ao público, por falta de catalogação (Foto Ze Carlos Barretta/Folhapress)

HEMEROTECA
Ela foi inaugurada, mas não foi habitada ainda, por várias razões. A gente dá atendimento a pesquisadores que querem fazer pesquisa sobre periódico, jornal, você liga, vem aqui e reserva o que quer. Mas não podemos ampliar esse atendimento porque o sistema de climatização do prédio ainda não foi recebido pela prefeitura. O sistema está em testes, que têm sido feitos a conta gotas, muito lentamente, pela empresa que instalou o sistema, e não têm sido bem sucedidos. Tem vazamento, tem água, não opera no padrão de resfriamento e umidade.  A previsão é que isso seja entregue até o final do ano.

O teste é feito lá mesmo, tem que ligar e desligar. A empresa fala: “O sistema tem que ser ligado e ficar uma semana para entrar em balanço”. Mas em uma semana eu perco todo o acervo. Acho que vou ter um problema lá maior do que estou tendo aqui [com fungos] se ligar o ar condicionado. Ele não vai alcançar o padrão.

Sem o ar, você não consegue pôr funcionários lá dentro e ampliar o atendimento ao público. Tem que climatizar o acervo, se não ele fica na oscilação, depende do que acontece aqui fora. Agora estamos bem, está muito seco. Estamos com índice de 30%, preciso de até 50%. Para periódicos, quando está muito seco, o jornal começa a craquelar, ficar sólido. A climatização produz o ambiente em que você tem o índice de umidade e temperatura adequados para preservar jornal, uma coisa rapidamente deteriorável. Não conseguimos preservar porque não é papel, mas consigo uma sobrevida desse acervo até digitalizar. A permanência de uma hemeroteca é a digitalização. Agora, se eu ligo um ar que foi instalado, e parece que foi feito isso, desenhado como um ar condicionado de um shopping, se estiver mais frio que o necessário que se dane, seu corpo que se adapte. Em tese, o ar condicionado possibilita um ar mais limpo, filtrado. Quando você fica num ambiente com ar e sai com coriza, tem alguma coisa de errado. Isso vale para a gente e vale para o acervo.

Isso considerando que a Mário de Andrade é uma biblioteca privilegiada, a primadona das bibliotecas públicas de São Paulo. Mas as coisas foram sendo feitas sem que se pensasse na manutenção delas, na sustentabilidade. Por exemplo, o prédio da hemeroteca não é da Secretaria Municipal de Cultura, é um comodato, pertence à Secretaria Estadual. Há uma sessão de empréstimos que pode ser cancelada a qualquer momento. A prefeitura tem tantos prédios que poderia num ter sido feita uma permuta, toma o meu e recebo esse. Mas o prédio não é nosso. A rigor, uma disputa política pode fazer com que sejamos despejados.

IMAGEM ELITISTA
Além de conservadora, a Biblioteca Mário de Andrade tem uma imagem elitista. E ela tem uma imagem elitista porque ela é elitista. A biblioteca que o Mário de Andrade fez para São Paulo foi feita para a elite, historicamente. É reflexo de uma cidade conservadora, que só há muito pouco tempo vislumbra que exista cultura na periferia, manifestações que não são aquelas produzidas para seu deleite. As instituições são um pouco o espelhamento das relações em torno dela.

Costumo dizer que essa fachada, o corredor de cristal, nos deu uma fachada de vidro, e que a Mário de Andrade não seja transparente apenas na fachada. Os problemas têm que ser públicos, a biblioteca tem que ser apropriada pela sociedade. Historicamente, a Mário de Andrade foi de uma elite e ainda é. Cada pequena atitude, cada pequeno gesto, eles vão se somando, aí no total você tem uma coisa que é reflete um pouco o que é São Paulo, uma cidade conservadora, classe média, extremamente ensimesmada, que tem medo de partilhar o que tem. A cultura é vista como bem, não como transmissão. A biblioteca não é responsável por isso, mas tem refletido isso.

Painel das Letras: Uma loja de encalhes

Por Folha
24/08/13 03:00

Uma livraria virtual só para vender, a menos de R$ 10, títulos que encalharam nas editoras. A ideia do editor Lorran Feital, 28, anunciada há um ano no Painel das Letras, era um tanto fora do padrão, mas começa a render frutos. Sua Livraria Coletiva já fechou acordo com as editoras Record, 34, Fundamento e 2AB.

Ele espera agora definir os títulos iniciais para pôr o site no ar em breve. O desafio será descobrir se há tantos compradores para obras que originalmente não atraíram leitores. Como a loja terá comissão de apenas 10% sobre livros tão baratos —enquanto livrarias chegam a receber 50% de volumes bem mais caros—, será preciso vender bem para o negócio prosperar.

Parceria fantástica

Romances de horror, ficção científica e fantasia estão na mira da Sextante, que inicia em setembro parceria com a portuguesa Saída de Emergência, voltada a esses gêneros e a romances históricos luso-brasileiros.

A editora carioca adquiriu 50% da casa lusa —tal como fez, anos atrás, com a também carioca Intrínseca.

Os títulos iniciais da parceria saem ainda neste ano dentro da coleção Bang!. Entre outros, “Mago: Aprendiz”, de Raymond E. Feist, e “Tigana”, de Guy Gavriel Kay.

E, como em Portugal, será lançada aqui a revista quadrimestral gratuita “Bang!”, de fantasia e HQ.

ESTREIA Uma zebra atrapalhada, mas ciente de sua beleza, protagoniza “Zebrosinha, Alegria Colorida”, primeiro infantil de Bruna Beber, ilustrado por Beta Maya e previsto para novembro pela Galerinha Record

A festa da escrita criativa

A oficina de criação literária fundada em 1985 por Luiz Antonio de Assis Brasil originou, nos últimos anos, a pós-graduação em escrita criativa na PUC-RS, a primeira do gênero no país. Décadas depois, mesmo tendo formado nomes como Daniel Galera e Michel Laub, o curso para desenvolver a técnica literária ainda divide opiniões.

O atual grupo de Leitura e Criação Literárias da universidade quer trazer esse debate à tona na 1ª Festiva — Festa da Escrita Criativa. O evento, organizado por Luis Roberto Amabile, Rodrigo Rosp e Moema Vilela, acontece de 2 a 6/9 na PUC em Porto Alegre, com alunos e ex-alunos.

GUARDANAPOS
O blog Eu me Chamo Antônio, de Pedro Gabriel, vai virar livro de arte pela Intrínseca, em novembro; Antônio é o personagem que conta, em guardanapos, uma história de amor em 1.001 noites em bares

Filão A revista “Superinteressante”, da Abril, vem explorando novo filão com o Kindle Singles, e-books curtos publicados direto pela Amazon. Começou a lançar no formato, há duas semanas, reportagens de capa de edições anteriores, a R$ 2,25.

Filão 2 O segundo título, “Pequenos Psicopatas” (21 págs.), reportagem de maio de 2012, saiu na terça e estava até ontem entre os dez mais vendidos da loja, com média de 30 cópias por dia. Ontem, passou a ser vendido no Iba, e logo deve estar disponível na Apple e no Google Play.

Filão 3 E a autopublicação, que cresceu no Brasil com empresas independentes como o Clube dos Autores e a Per Se, é cada vez mais abraçada por grandes empresas. Quem estreia nessa área em breve é a LeYa Brasil.

Filão 4 A editora prepara para a Bienal do Livro Rio sua plataforma Escrytos, que em Portugal já funciona desde dezembro.? Outra grande empresa a entrar nesse segmento, a Livraria Saraiva, alcançou o número de 650 livros autopublicados à venda em menos de dois meses.

Ranking Sem o barulho de outros eróticos, a trilogia “Chamas na Escuridão”, de Sadie Matthews, já é a terceira obra mais vendida na história da Companhia Editora Nacional, com 62 mil cópias dos dois primeiros volumes em pouco mais de um mês. O terceiro sai em setembro.

Ranking 2 Os dois primeiros lugares no ranking da editora são históricos: desde 2000, “Dona Benta” (1940) vendeu 518 mil cópias, e “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” (1939), 505 mil.

Painel das Letras: Balada baiana

Por Folha
17/08/13 03:00

A Balada Literária nasceu nos bares da Vila Madalena, espalhou-se pela capital paulista e agora, aos oito anos, chega a Salvador. O evento, de 20 a 24 de novembro em São Paulo, será antecedido por uma versão compacta baiana, de 15 a 17 do mesmo mês, com alguns convidados em comum, como o cubano Alberto Guerra Naranjo e o chileno Pedro Lemebel.

Depois de conseguir raríssima (e silenciosa) aparição de Raduan Nassar, em 2012, agora o encontro organizado por Marcelino Freire celebra Laerte, com convidados como Angeli, Arnaldo Antunes e Gero Camilo.

E pela primeira vez a Balada se organizou para entrar na Lei Rouanet. Por ora, conseguiu 25% dos R$ 384 mil pedidos, em cota paga pela editora FTD.

O ‘Paradiso’ perdido

A Estação Liberdade estava prestes a lançar o clássico “Paradiso”, do cubano José Lezama Lima (1919-1976), no fim do ano passado, quando a Martins Fontes/Selo Martins lhe enviou notificação informando deter os direitos de publicação do romance no país.

A primeira editora os havia comprado em 2006 de Eloísa, irmã do autor, e a segunda, em 2011 da estatal Agencia Literaria Latinoamericana —que, pela lei cubana, é a detentora de fato do espólio.

Resumo da ópera: o editor Evandro Martins Fontes se ofereceu para comprar a tradução, pronta havia tempo, de Josely Vianna Baptista, mas ela informou que não quebraria o compromisso com a Estação Liberdade. O Selo Martins então contratou os préstimos de Olga Savary. Pretende lançar a obra no ano que vem.

Rodapé literário

 

‘O Livro dos Rodapés’, que será lançado pela Caixa Preta (Daniel Monteiro/Divulgação)

Um livro inteiro só com notas de rodapés, criação de Bruno Moreschi, e outro com poemas de Carlito Azevedo escritos numa pedra e datilografados em papel de pão. Estão aí dois dos primeiros lançamentos da Caixa Preta, projeto da escritora Daniela Lima e da curadora Laríssa Duarte Amorim.

A editora voltada a livros-objeto quer diluir os limites entre literatura e artes visuais, sempre em edições assinadas pelos autores. O “Manual da Pedra” (o com versos de Carlito) e “O Livro dos Rodapés” saem em setembro, na semana da ArteRio, e serão vendidos em galerias, no site da editora e nas livrarias Cultura e Travessa.

Terapia Depois de obras como “O Pintinho”, de Alexandra Moraes, e “Manual de Sobrevivência dos Tímidos”, de Bruno Maron, a Lote 42 prevê para outubro “Seu Azul”, de Gustavo Piqueira.

Terapia 2 É uma ficção sobre um casal que inicia terapia alternativa para salvar a relação: sem ler as reportagens completas, debate na hora do jantar assuntos dos principais sites do país. As notícias, não raro absurdas, são todas verdadeiras.

Gratuito A loja de e-books Iba disponibiliza, no fim do mês, o capítulo inicial de “A Lista do Nunca” (Paralela), de Koethi Zan, best-seller na Alemanha, sobre quatro garotas mantidas em cativeiro por um professor durante três anos. É ficção, mas com famosos paralelos na vida real.

Moças de família As mais velhas prostitutas de Amsterdã se aposentaram neste ano, após mais de meio século de serviços prestados. São gêmeas, chamadas Louise e Martine Fokkens, 70, dizem ter dormido com um total de 355 mil homens e, antes de sair de cena, resolveram contar sua história em livro. “As Senhoridas de Amsterdã, Gêmeas e Prostitutas” sai pela LP&M em novembro.

Aniversário Ainda não será por agora que o braço editorial da Babilonia sairá do papel, mas, com um ano de estrada, a empresa engrossa a lista de trabalhos na área de produção. Um projeto em andamento é o “Diálogos nos Museus”, sobre o debate acerca da ampliação de públicos para centros culturais, que prevê debates no Rio e em SP, livro e aplicativo.

Painel das Letras: Breve e longa história

Por Folha
10/08/13 03:00

É irônico que se chame “Minha Breve História” a autobiografia de um homem que chegou aos 71 anos após ouvir dos médicos que não passaria dos 25, mas foi assim que Stephen Hawking, uma das maiores lendas da física, batizou o livro que lança em setembro nos EUA.

O título, previsto para 1º de outubro pela Intrínseca, é uma referência ao seu clássico “Uma Breve História do Tempo”, que ganha reedição pela casa carioca em 2014. No novo livro, Hawking, tão conhecido pela doença degenerativa dos nervos que o prende à cadeira de rodas quanto pela descoberta de que buracos negros somem com o tempo, descreve sua evolução intelectual desde a mais tenra infância.

Fogo em quadrinhos
Estudar HQs na USP dos anos 1970 não era para os fracos. Seis professores que enfrentaram preconceito na própria academia lembram agruras daqueles tempos em “Os Pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil” (Criativo), a sair na segunda edição das Jornadas Internacionais das Histórias em Quadrinhos, que começa no dia 20.

José Marques de Melo, por exemplo, lembra que acervo de 20 mil títulos, considerado subversivo, quase foi parar na fogueira —na mesma USP que hoje sedia as jornadas. Álvaro de Moya, Antonio Cagnin, Moacy Cirne, Sonia Luyten e Waldomiro Vergueiro completam o time ouvido no livro, organizado por Vergueiro, Paulo Ramos e Nobu Chinen.

INFANTIL – ‘Charlie Malarkey e a Máquina de Umbigos’, de 1986, parceria de William Kennedy com o filho Brendan, ganha tradução de Cadão Volpato e ilustrações de Jaca em setembro, pela Cosac Naify

Planos De janeiro até o final deste mês, o site da Livraria Martins Fontes Paulista terá vendido o equivalente a todo o ano de 2012. Foram mais de 30 mil livros só no primeiro semestre —com boa força da promoção de 50% em títulos da Companhia das Letras, que garantiu a saída de mil volumes em apenas três dias de abril.

Planos 2 A loja planeja começar a vender e-books no início de 2014. Negocia parceria com a Xeriph. Antes disso, deve se tornar uma das parceiras da Wal-Mart na venda de livros pelo site. Esta vinha sendo feita via Saraiva, mas atualmente está suspensa.

Quem é vivo… Miguel Roza, sobrinho de Fernando Pessoa (1888-1935), vem ao país para Flipoços 2014, em Poços de Caldas. Planeja falar sobre a vida familiar do tio escritor, com quem conviveu até os cinco anos, e sobre a relação de Pessoa com o ocultista Aleister Crowley (1875-1947), tema de seu livro “Encontro Magick” (2001).

…sempre aparece Roza, que além de escritor é cirurgião vascular, aceitou o convite após o meio de campo do best-seller português Luís Miguel Rocha, que veio neste ano e volta em 2014.

Cartazes “O poema quer ser útil”, “Todos por um poema melhor do que este” e outros 24 poemas-protestos de Nicolas Behr, sucesso na Flip, compõem edição digital que a Ficções prepara para o poeta levar à Feira de Frankfurt, em outubro. Ele é um dos 70 autores que representarão o Brasil. ?E a editora lança em breve site para quem quiser imprimir, de graça, os cartazes.

Estávamos prontos A capa da antologia “Estamos Prontos”, descrita na coluna passada, não agradou aos autores reunidos no volume, que sai em outubro. A editora Faces queria estampar a foto de um manifestante em Brasília, mas os antologiados reclamaram, já que os contos nada têm a ver com os protestos. Democrática, a casa voltou atrás. ?Quem também recuou foi Cecilia Giannetti, que pediu para sair da antologia.

Já era tempo Três eleições após aquela em que perdeu vaga na Academia Brasileira de Letras para Merval Pereira, em 2011, Antônio Torres é o favorito para a cadeira deixada, há uma semana, pelo crítico musical Luiz Paulo Horta. Depois de dois jornalistas (Merval e Rosiska Darcy de Oliveira) e um sociólogo (FHC), os imortais sentem falta de um nome literário.

Painel das Letras: Temporada de saldões

Por Folha
03/08/13 03:00

Com queda na venda de livros no país, destaque da mais recente pesquisa do mercado editorial —foram 470 milhões de exemplares em 2011, ante 435 milhões no ano passado—, fica mais fácil entender um fenômeno deste começo de ano: temporadas de descontos de até 50% em parcerias de editoras com grandes redes. Depois da Cosac Naify, que abriu a porteira dos saldões anos atrás, recentemente Companhia das Letras e Record recorreram ao método para queimar estoque. Outras editoras, como Rocco, estudam fazer em breve o mesmo. A Objetiva oferecerá mais de 200 títulos com 50% de desconto de 10 a 15 de setembro, segundo a Folha apurou.

Quem tem sentido o baque são as pequenas e médias livrarias. Em geral, as parcerias são feitas apenas com redes como Saraiva, Cultura, Fnac e Travessa.

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Não chega a ser uma sorte grande como a da Rocco, que comprou “The Cuckoo’s Calling” antes de saber que a obra era de J.K. Rowling, mas a Zahar encontrou dias atrás motivos para celebrar uma aquisição feita em maio.

O controverso “Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth”, de Reza Aslan, entrou no topo da lista de best-sellers do “New York Times” após aquela que foi considerada, pelo site Buzzfeed, “a mais constrangedora entrevista já feita pela Fox News”. A âncora Lauren Green ganhou a antipatia geral ao atacar Aslan, durante nove minutos, por ele ser muçulmano e escrever sobre o fundador do cristianismo. “Não é como se eu fosse um muçulmano qualquer escrevendo sobre Jesus. É minha especialidade, tenho PhD em história das religiões”, repetiu ele ao longo de toda a entrevista.

Meme O blog Hyperbole and a Half, de Allie Brosh, que virou sucesso com traço tosco e humor autodepreciativo, terá edição em 2014 pela Planeta (“Imagino como será o dia de hoje…  Ah. Nada, de novo. Ok”, diz a personagem, acima)

Partida literária
Antonio Prata, Eduardo Spohr, Fabrício Carpinejar, Marcelo Moutinho e outros 13 escritores representarão o Brasil em jogo contra autores alemães previsto para 11 de outubro, durante a Feira do Livro de Frankfurt. Depois, nos dias 12 e 13, haverá leituras com integrantes de ambos os times. E, no ano que vem, um jogo de volta por aqui, pré-Copa do Mundo.

O time brasileiro foi organizado neste ano pelo Goethe Institut, mas o alemão atua há tempos, sob o nome Autonama. É composto por autores em sua maioria inéditos no Brasil, com exceções como Thomas Brussig (“O Charuto Apagado de Hitler”, L&PM) e Jurgen Schmieder (“Sincero”, Verus).

Atenção Homenageada da Pauliceia Literária, em setembro, Patrícia Melo chama a atenção da crítica alemã. Seu “Ladrão de Cadáveres” levou o prêmio Liptrom, a ser entregue na Feira de Frankfurt, e liderou o ranking de junho da revista “Die Zeit” de melhores romances policiais recentes no país.

Cá e lá O livro de estreia de Antônio Xerxenesky, “Areia nos Dentes”, reeditado pela Rocco, terá edição na França pela Asphalte em 2014, ano em que sairá por aqui o novo romance do autor, “F para Welles”.

Só lá Xerxenesky, aliás, foi um dos dois autores dentre os 27 brasileiros da antologia da alemã Lettretage a declinar do convite para integrar a versão nacional, organizada pela Faces e prevista para outubro. Ele não tinha textos inéditos em português. O outro foi Helder Caldeira, que discordou de detalhes.

Jeitinho Chamada “Estamos Prontos”, a edição brasileira traz na capa um jovem de cara pintada segurando a bandeira nacional em Brasília, embora os contos sejam anteriores aos protestos de junho.

Menos Esta época mais difícil para o mercado editorial pode ajudar a explicar a tendência de queda no número de títulos inscritos para o Prêmio Jabuti, o mais tradicional do gênero. Foram 760 inscrições a menos em quatro anos—de 2.867 em 2010 para 2.107 neste ano.

Menos 2 A inscrição custa de R$ 210 a R$ 320 por obra, o que não sai tão barato para editoras que queiram inscrever vários títulos. O formato do prêmio sofre críticas a cada ano, algo que a Câmara Brasileira do Livro sempre busca contornar com pequenas mudanças nas regras.

Menos 3 A crise não ajuda a explicar a queda de candidatos ao Prêmio SP de Literatura, de inscrições gratuitas. Na premiação do governo paulista, voltada a romances, foram 187 pedidos de inscrição neste ano, ante 209 obras em competição em 2012.

Menos 4 Embora as inscrições tenham sido encerradas há cinco dias, a organização imagina que obras postadas no prazo ainda possam chegar. Mas sempre há títulos inabilitados, de modo que o número não deve aumentar muito.

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