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Raquel Cozer

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Desdobramentos digitais: a autopublicação na Saraiva e as ‘fan fics’ na Amazon americana

Por Raquel Cozer
28/05/13 20:09

Faz quase cem dias que “Mnemônica, Memorização e Aprendizado”, de Miguel Angel Perez Corrêa, oscila entre os mais vendidos da Amazon brasileira, tendo chegado ao topo da lista algumas vezes. O livro saiu pela plataforma de autopublicação Kindle Direct Publishing, que dá ao autor 35% do valor da venda da obra –ou 70%, se escolher vender só pela Amazon. “Mnemônica” sai por R$ 5,99. Títulos em primeiro lugar na Amazon vendiam até outro dia umas 60 cópias por dia; já o quarto ou quinto lugar, uns 30 por dia. Vocês façam suas contas.

Hoje foi a vez de a Saraiva entrar no segmento, como reparou o Revolução Ebook. A livraria estreou em sua loja de livros digitais a ferramenta publique-se, oferecendo ao autor o mesmo percentual de 35% sobre o valor de venda do livro –que ele mesmo pode definir.

O interessado se cadastra e recebe um contrato em minuta já registrada em cartório. Assim que a administração do site recebe de volta o documento assinado pelo autor, ele pode fazer upload dos PDFs de todos os seus livros, que são convertidos para ePub.  “Fazemos o contrato pelas leis brasileiras, o que preserva os direitos dos autores. Se houver alguma pendência, é no Brasil que será resolvido”, diz o diretor-presidente da Saraiva, Marcílio Pousada, ressaltando uma diferença em relação à Amazon e à Apple, que oferecem serviços similares.

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A maior rede de livrarias nacional tem ainda cartas na manga para os próximos meses.

Uma delas vai aproveitar a experiência da empresa na edição de livros, já que a Saraiva tem seu braço editorial. É algo que o Clube dos Autores e algumas editoras que imprimem sob demanda já fazem: o interessado pode pagar à parte por serviços como correção ortográfica, preparação de texto, sinopse, capa mais elaborada que a padrão. Valores ainda não divulgados.

A outra aposta da Saraiva vai ser mais difícil Amazon, Apple, Clube dos Autores e outros sites baterem, e diz respeito àquela que já é a maior moeda de troca da rede nacional em negociações com editoras: as 105 lojas da livraria espalhadas por 17 Estados. Além de imprimir sob demanda, a Saraiva abrirá suas lojas para tardes de autógrafos dos independentes, tal como já faz com editoras. Serviço pago, com toda a estrutura dos lançamentos oficiais, incluindo o vinho branco. Coisa para os próximos três, quatro meses, segundo Pousada.

Somente hoje, sem o anúncio oficial, apenas com o link para a página do publique-se na loja virtual, 150 autores se cadastraram para receber o contrato. Trinta e cinco livros devem subir no ar entre amanhã e depois, segundo Pousada.

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Outra novidade destes dias, sobre a qual comentei no Painel das Letras, foi uma sacada meio de gênio da Amazon americana, o Kindle Worlds. Agora que já fizeram parece até que demorou, mas ninguém tinha pensado em capitalizar as “fan fics”, histórias não autorizadas elaboradas por fãs a partir de universos e personagens criados por romancistas famosos.

O primeiro passo foi o que na teoria seria o mais difícil: conseguir autorização da versão em inglês de três títulos, todos pertencentes à Warner Bros, “Maldosas”, de Sara Shepard;  “Diários do Vampiro”, de L.J. Smith; e “Gossip Girl”, de Cecily von Ziegesar.

Com isso, a partir de junho, quando sair a ferramenta, fãs poderão não apenas criar histórias em cima dessas tramas –e de outras a serem autorizadas– como, mais importante, colocar para vender. O autor da trama paralela vai levar 35% do valor da venda. O detentor dos direitos da história original leva sua parte também, não divulgada. A Amazon, mesmo que as fan fics não vendam nada,  não tem nada a perder. A princípio, vai valer só nos EUA.

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